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Seu Perfeito Corpo

“Esteja consciente do que seu corpo faz a cada dia. Ele é o instrumento de sua vida, não um ornamento para o prazer dos outros.” – Maine, 1999. Body Wars: Making Peace with Women’s Bodies

Seu Perfeito Corpo

“Esteja consciente do que seu corpo faz a cada dia. Ele é o instrumento de sua vida, não um ornamento para o prazer dos outros.” – Maine, 1999. Body Wars: Making Peace with Women’s Bodies

10
Abr19

Não sou agente EMAGRECEDORA, sou uma promotora de saúde.


Ju Lima

Como nutricionista clínica (no momento não atuo na área), trabalho para promover á saúde dos meus clientes através da alimentação. Minhas consultas têm enfoque preventivo e/ou curativo de doenças.

O emagrecimento não é, nem devia ser, o foco do trabalho do nutricionista. SER MAGRO não é sinonimo de ser/estar saudável, ou consideramos alguém com anorexia nervosa uma pessoa saudável? Ou temos por saudável alguém que só come alimentos “limpos” por medo de engordar? Ou admiramos alguém que nunca faz lanches (em redes de fast food) com os filhos pequenos com medo de gorduras trans?

Há quem procure consultas nutricionais com afirmação de querer “ganhar saúde”, mas qual o método? Eliminando quilos. Muitas vezes nem sabem o motivo de desejarem perder peso e alguns profissionais incentivam, nem perguntando qual a motivação para a eliminação do peso.

Nutrição é equilíbrio, assim como estar magro não é necessariamente sinónimo de saúde (ou doença), estar acima (ou abaixo) do peso ideal não tem de ser necessariamente sinónimo de estar doente… e nem ser musculoso é sinonimo de saudável.

A nutrição vai além das calorias, a nutrição trabalha os aspectos fisiológicos e emocionais da alimentação. A nutrição trata as CAUSAS (ou quase todas as causas) das doenças relacionadas com a alimentação.

Exemplificando: uma paciente que sofre de TPM excessiva pode ser orientada a tomar antidepressivos, que tratam o sintoma - a diminuição dos níveis de serotonina no cérebro. Se essa mesma paciente procurasse um nutricionista, ele buscaria tratar o problema em si - a falta de serotonina pode ser causada pela baixa ingestão de triptofano ou pelo consumo excessivo de carne vermelha, que impede a absorção do nutriente.

TUDO no corpo humano tem uma causa. A boa saúde depende do equilíbrio do corpo, e o seu desequilíbrio é o responsável pelas doenças, o nutricionista é o profissional responsável por buscar a manutenção desse equilíbrio através dos alimentos.

 

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23
Fev19

Qual o papel do nutricionista no tratamento da diabetes?


Ju Lima

O diagnostico do diabetes pode ser um choque para a pessoa, muitas vezes ela nem consegue ouvir direito o que o profissional da saúde está falando.

Normalmente o diagnostico vem acompanhado de uma forma de medicação e cuidados básicos que devem ser seguidos para controle da doença.

E essencial que sejam passadas informações para que o paciente não se desespere, primeiro porque o diabetes pode ser controlado e não é sentença de morte.  Ao chegar em casa, a pessoa deve falar com seus familiares sobre o assunto, pois o melhor é falar sobre isso o mais rápido possível. Até porque o tratamento irá envolver a família.

Assim que possível, a pessoa deve procurar ajuda profissional em relação a nova dieta que será seguida, pois o tratamento do diabetes está intimamente ligado a qualidade da sua alimentação.

E então que começa o importante trabalho do nutricionista para garantir que uma pessoa com diabetes possa controlar a sua doença.

O tratamento nutricional é dividido em 5 fases: fase da anamnese, fase da avaliação nutricional, fase da orientação do programa nutricional, fase de execução do programa nutricional e monitoramento dos resultados do programa nutricional.

 

A fase da anamnese é iniciada com uma visita do paciente ao nutricionista. Nesse momento é feito o levantamento dos dados, inclui registos antropométricos (peso, altura, circunferências abdominais e outras medidas do corpo do paciente que o profissional julgue necessário). Também será importante selecionar no hábito alimentar os alimentos preferidos e os não preferidos, além da quantidade desses alimentos, número e horário das refeições.

Além disso, o nutricionista deve ficar atento à condição dos cabelos e unhas, dentição, capacidade de mastigação, condição da sua força para andar, ânimo para fazer as coisas, possíveis queixas de fraquezas, enjoos, presença de vômitos, diarreias ou constipação. Aqui também devem ser registadas as taxas de alguns exames bioquímicos como, por exemplo: glicemia, hemograma, taxas de colesterol e frações, creatinina, uréia, acido úrico, sódio, potássio, além de taxas de algumas enzimas como GGT, TGP etc. No caso de a pessoa possuir algumas outras doenças ou comorbidades já presentes, os tipos de medicações prescritas com seus respetivos horários devem ser mantidos.

A segunda fase consiste na avaliação nutricional.  Os dados coletados vão permitir ao nutricionista diagnosticar o estado nutricional, ou seja, em que grau ou não houve prejuízo do estado nutricional. Dará também acesso as necessidades nutricionais: carboidratos, proteínas, lipídios e micronutrientes.

Após estabelecerem a avaliação nutricional, seguimos para a terceira fase: Orientação do programa nutricional. Nessa fase o profissional irá chegar em um acordo com o paciente sobre a alimentação, e o momento que as dúvidas devem ser tiradas, para fortalecer a confiança mútua.

O programa alimentar tem objetivos claros como, por exemplo: manutenção da glicemia a níveis aceitáveis, estimativa de correção de peso e de carências nutricionais, auxílio para manter as taxas bioquímicas dentro da normalidade e outros objetivos traçados em comum acordo entre paciente e profissional.

Para facilitar a vida do paciente o nutricionista deve receber alguns recursos que facilitam a adesão ao plano alimentar: cardápio orientalizo das refeições, horário das refeições, definição dos alimentos, per capita dos alimentos.

Agora passamos para a fase mais difícil do tratamento, a fase da execução do programa nutricional. Nessa fase irão acontecer as mudanças de hábitos, rotina e comportamento.

Muitas vezes o paciente é o único diabético da família e a separação dos alimentos na casa se torna difícil, mas a boa notícia é que um programa nutricional feito para o diabético é altamente saudável e pode ser aproveitado pelo resto da família, resultando em uma alimentação benéfica para todos. 

A última fase consiste no monitoramento dos resultados do programa nutricional, serão criados indicadores de avaliação para medir a eficácia do programa nutricional e acompanhar a evolução do estado nutricional do paciente.

Alguns deles são:  medição periódica o peso, medição periódica da glicemia diária, exames bioquímicos e acompanhamento nutricional periódico.

Objetivos gerais do programa nutricional para diabetes:

 

Controle de peso e redução quando o caso requer, controle da glicemia,

Evitar ou minimizar as comorbidades (Lesão renal, neuropatias diabéticas, retinopatias, pés diabéticos, gangrena de membros inferiores, úlceras de pressão, hipertensão, osteoporose, dislipidemias, obesidade, distensão abdominal, vômitos, diarreias, cansaço, AVC, dentre outros).

 

 O nutricionista é o profissional capacitado para conduzir os pacientes diabéticos quanto a mudança de hábitos alimentares.

Espero que tenham gostado do texto :3

 

 

 

 

 

Resultado de imagem para DIABETES E NUTRICIONISTA

 

24
Set18

PÍLULA VERMELHA ou  PÍLULA AZUL ?


Ju Lima

Em Matrix, um filme de ficção cientifica (1999), há uma famosa cena em que o protagonista Neo  recebe a opção de escolher entre tomar duas pílulas.  É uma decisão grande , já que sua escolha determinará a maneira como ele  compreenderá tudo que existe ao redor dele.

 

 

“Se tomar a pílula azul… a história acaba, e você acordará na sua cama acreditando…no que quiser acreditar.  Se tomar a pílula vermelha…ficará no País das Maravilhas…e eu te mostrarei até onde vai a toca do coelho.”

 

Neo escolhe a pílula vermelha e assim começa a história real, o mundo real.

 

Mas Matrix? O que a pílula vermelha tem que ver com a nutrição?

 

Parece ilusória a associação, entretanto analisando mais a fundo percebemos o quanto algumas pessoas, quando se trata de alimentação, escolhem sempre a pílula azul, preferem acreditar em milagres para emagrecer, ganhar massa magra, para tratar uma patologia, do que se deparar com a verdade nua e crua.

Se tomamos a pílula vermelha, começamos a ver , por exemplo, que dietas Detox, sumos Detox, shakes Herballife e afins não auxiliam, não emagrecem e principalmente não desintoxicam nada!

 

Podem até aumentar a ação do fígado, rins e intestino, órgãos responsáveis pela desintoxicação do organismo, entretanto isso não é necessariamente bom. Um rim que esteja a eliminar mais urina , pode levar à eliminação de sais minerais, importantes ao bom funcionamento do organismo, um fígado que esteja trabalhar mais ou que tenha a sua ação alterada, pode estar a eliminar compostos que sejam importantes para o bom funcionamento do corpo, incluindo medicamentos que a pessoa esteja a tomar.

 

Esse é só um exemplo, entre tantos como :água com limão, óleo de coco, dieta da sopa…

 

A verdade, a pílula vermelha: Não existem curas rápidas  para estilos de vida pouco saudáveis, não existem receitas milagrosas para emagrecer .

 Não há necessidade de fazer dietas restritivas ou com desvios do que é normal. Dietas pouco sustentáveis levam a perda de peso rápida, mas no fim aparece o indesejado efeito sanfona.

 

Para os que gostam da verdade, sem se ofenderem com ela, aconselho:

Tomem a pílula vermelha, questionem alimentos milagrosos, dietas milagrosas, “estilos de vida” restritivos.

E se querem mesmo fazer um “reset”, não precisam fazer jejum ou dietas restritivas, basta que diminuam os excessos e moderem a ingestão de calorias, que façam uma dieta equilibrada rica em frutas e vegetais. E claro, um plano de exercício físico adequado a si.

 

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  https://www.facebook.com/juhnutricao/

10
Set18

O preço da magreza


Ju Lima

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Carolina tem 10 anos e um sonho: perder a gordura da barriga que só ela consegue ver. Sua mãe, Paula, de 37 anos, tenta emagrecer desde os 14 e nunca atingiu o peso desejado, apesar dos esforços que envolvem dieta, exercícios físicos e tratamentos estéticos.
Como Carolina, 77% das jovens de 10 a 24 anos entrevistas pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo têm propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia e bulimia. Entre essas garotas, 39% estavam acima do peso e 46% acreditavam que mulheres magras são mais felizes.
Os distúrbios alimentares são problemas extremamente graves. A taxa de mortalidade da anorexia, por exemplo, é de 15% a 20%. Cerca de 90% dos pacientes são do sexo feminino.
A mulher que deseja perder peso quase nunca o faz por motivos de saúde. O que as move é a promessa de uma vida melhor. Poder vestir a roupa que quiser, arrumar um namorado, ser aceita e invejada pelas amigas, não ter que esconder o corpo na praia. A felicidade, portanto.
Mas por que tantas meninas e mulheres adultas acreditam que elas serão mais felizes se forem magras?
Basta abrir uma revista ou ligar a televisão para compreender a pressão sob a qual as mulheres vivem. Nos anúncios, mulheres lindas vestem roupas maravilhosas que não serviriam na maioria das brasileiras. Nas novelas e programas de TV, as mulheres fortes, bem-sucedidas e realizadas têm algo em comum: são magras.
As meninas crescem vendo as mães dando a vida para se encaixar em um padrão de beleza totalmente distante da realidade, travando uma luta inglória que quase sempre resulta em frustração.
Quando estão acima do peso, elas sofrem preconceito na escola e se esforçam para conseguir ser aceitas. Aprendem, desde muito novas, que o mais importante é ter um corpo dentro dos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade. Mais do que tudo, aprendem a menosprezar as diferenças.
Mas, como sabemos, não é nada fácil tentar adequar-se a um padrão de beleza que não é o seu. E muitas mulheres pagam com a própria saúde para chegar ao corpo supostamente perfeito.
No entanto, se por um lado a sociedade lucra com o ideal da magreza, por outro tem de lidar com o número cada vez maior de mulheres com distúrbios alimentares e outros problemas psiquiátricos associados à busca por um ideal de beleza fantasioso e irreal.
Nossas meninas estão crescendo insatisfeitas e se transformando em mulheres infelizes porque atribuem a felicidade a um padrão inatingível para a maioria. Essa busca mal-sucedida afeta a autoestima e gera insegurança em várias áreas. Sem se darem conta, elas renunciam à própria liberdade.
Enquanto não aceitarmos e respeitarmos as diferenças físicas e de comportamento viveremos frustradas, esperando a felicidade que nunca vem.
 
 
Mariana Varella
 
01
Set18

Nutrição: Profissão sem louros ?!


Ju Lima

Nunca se falou tanto em alimentação saudável, dietas e transtornos alimentares. Entretanto nunca a profissão do nutricionista foi tão banalizada e desvalorizada.

Profissionais da nutrição enfrentam diversas dificuldades para exercerem sua profissão, suas atribulações são fatores externos e internos.

Acredito que um dos fatores seja a concorrência com outras profissionais que enfrentamos diariamente, concorrência essa que não deveria existir.

Virou uma prática comum médicos, educadores físicos, enfermeiros e até mesmo pessoas sem nenhuma relação com a área da saúde como “ex-gordos”, coaches de emagrecimento e bloggers prescreverem planos alimentares (dietas).

A prescrição de dietas é, por lei, atividade exclusiva do nutricionista: Lei 8.234 de 7 de setembro de 1991, que diz: Art. 3º parágrafo VIII que são atividades privativas do nutricionista a assistência dietoterápica hospitalar, ambulatório a nível de consultórios de nutrição e dietética, prescrevendo, planejando, analisando, supervisionando e avaliando dietas para enfermos.

Importa esclarecer que o nutricionista é o profissional com conhecimento suficiente para definir as necessidades nutricionais do individuo, assegurando a plenitude das funções fisiológicas, de forma a prevenir doenças e a melhorar a saúde, respeitando e corrigindo estilos de vida, rotinas e hábitos dos pacientes.

Entretanto na pratica, somos bombardeados diariamente com pessoas que vestem uma capa que não lhes pertencem, exercem ilegalmente a profissão de nutricionista roubando os louros profissionais a quem estes pertencem por direito.


A esses digo: Queriam ser nutricionistas? Estudassem.


Enfatizo que a mídia tem grande influência na desvalorização dos nutricionistas, quando convida médicos, naturopatas, personal trainers e outros para falarem de nutrição.

Mas se a lei existe, porque não é cumprida? Pergunto-me diariamente. Enquanto a nutrição é saqueada, desvalorizada e banalizada, os órgãos que deveriam nos defender, nada ou pouco fazem.

Enquanto bloggers ostentam seguidores ditando asneiras, os nutricionistas são jogados a “própria sorte”.

Outro fator preocupante é o crescimento do número de nutricionistas que usando da alegada “liberdade profissional” prescrevem o que lhes apetece aos seus utentes.

Ignoram a bioqmica, anatomia, fisiologia e histologia. Profissionais que desrespeitam os princípios da nutrição não merecem exercer a profissão de nutricionista.

É inaceitável que um profissional prescreva desafios em massa para seus utentes, e ainda por cima por aplicativos telefónicos. Indago-me sobre a adequação às necessidades fisiológicas, a harmonia ao estado nutricional e as preferenciais alimentares!

Não mesmo pior são os nutricionistas que descrevem “alimentos milagrosos” por estarem na moda, estes que muitas vezes ainda requerem estudos científicos sobre suas eficiências.

 

Certamente nosso “maior inimigo” são os da nossa própria casa.

Ser nutricionista parece simples , mas não é. A ciência da nutrição associa-se à Medicina na medida em que requer bastante estudo e conhecimento sobre o funcionamento do corpo humano . E infelizmente andam a desvalorizar o conhecimento do nutricionista.

 

Certamente se algo não for feito, a nutrição entrará em extinção em breve. Analisemos a nossa profissão, pois estão roubando os louros que nos pertencem, e estamos permitindo.

Cabe aos nutricionistas éticos lutarem para colher os louros que a profissão pode nos dar. Mas que caminho seguir ? Sinceramente estou tentando descobrir, talvez primeiramente exigindo que os Concelhos de Nutrição sejam mais atuantes.

Segundo, desmistificando que o nutricionista só trata de emagrecimento/obesidade, como alguns acreditam, devemos mostrar que a dietoterapia também trata diabetes, hipercolesterolemia, doenças hepáticas e vesiculares, doença de Cronh e Celíaca, doenças gastroenterites e  muitas outras onde a adaptação alimentar se traduz em grandes melhorias dos estados de saúde e bem-estar, muitas vezes visíveis nas análises bioquímicas.

Devemos levar as pessoas a entender que ser nutricionista não é sinonimo de tirar a felicidade a quem gosta de comer! Mito comum entre os leigos.

Sejamos de verdade nutricionistas, com conhecimento cientifico, criativos e apaixonados pelo ser humano!


 

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31
Jul18

Os adoçantes vão matar-me?


Ju Lima

 

 

Há algumas questões essenciais no que diz respeito à utilização dos adoçantes: são melhores do que o açúcar? Existe algum risco devidamente comprovado para a saúde decorrente da sua utilização? Se sim, em que doses? E, para finalizar, o aspartame (ou outro) provoca mesmo cancro?

Vamos então por partes.

Que a grande maioria dos adoçantes não tem calorias associadas é praticamente do senso comum. Aliás, é provavelmente por causa disso que pode existir alguma desresponsabilização no seu consumo e uma possível sobrecompensação noutros alimentos mais doces e calóricos. Ainda assim, o raciocínio “estou a beber um refrigerante light, por isso posso comer bolo”, é um exercício profundamente demagógico e uma extrapolação abusiva de qual será o comportamento de cada indivíduo quando opta por um alimento com adoçante.

Quem os usa de forma correcta e devidamente contextualizada por um profissional de saúde, dificilmente cai neste tipo de compensação abusiva. Também o modo como se olham para alguns estudos observacionais existentes sobre os adoçantes merece atenção. Em estudos como este e este, em que se observa que quem mais consome refrigerantes light tem um maior risco de excesso de peso, obesidade e diabetes tipo II, estamos muito provavelmente a inverter o nexo de causalidade. Ou seja, muito provavelmente, o que aconteceu é que os indivíduos já obesos estariam a consumir esses produtos como tentativa de baixar o peso e daí essa associação. Há que dizer ainda assim que ingerir mais de 21 refrigerantes light por semana (o valor apontado num destes estudos) é uma profunda obscenidade seja qual for o contexto. Do ponto de vista prático e clínico, se o indivíduo for devidamente educado a utilizar os refrigerantes light com ponderação, sem fazer compensações abusivas noutros alimentos doces e apenas como substituição a um refrigerante que já iria beber (numa esplanada, numa refeição fora de casa ou no cinema), esta substituição é objectivamente positiva levando a uma menor ingestão calórica e melhor controlo do peso.

Também é legítimo pensar que a exposição diária a estas bebidas doces pode aumentar o nosso limiar de sensibilidade a este sabor e fazer com que a procura por alimentos doces seja ainda maior. Em todo o caso, este raciocínio nem sempre é comprovado nos estudos que o testaram, podendo mesmo este “mimo” doce diário e sem calorias fazer com que não seja necessário abusar nas sobremesas por exemplo (até porque a refeição foi já acompanhada por uma bebida doce).

Resta então perceber se existe algum problema a médio/longo prazo com a ingestão crónica destes adoçantes. E a resposta é sim, existe. Nos últimos anos tem-se observado que a exposição crónica a estes adoçantes pode igualmente desregular o nosso controlo glicémico devido a alterações na nossa flora intestinal. Podemos dizer que é o chamado “karma” dos adoçantes. Se o seu efeito a curto prazo parece ser positivo na redução da ingestão de açúcar e calorias, a sua ingestão crónica também pode justamente piorar aqueles indicadores que inicialmente se propunha melhorar. Reconhecendo que são ainda muito poucos os estudos a investigar esta relação, e que existe uma variabilidade inter-individual grande nestes efeitos, a conclusão a retirar daqui é que mesmo os refrigerantes light também podem ser nefastos para o nosso organismo quando consumidos de forma crónica. E por refrigerantes entendam-se também algumas “águas” ou “tisanas” com sabores que são igualmente fontes de adoçantes e que pela sua imagem mais “healthy”, são muitas vezes vistas com outros olhos e legitimado o seu consumo diário e abusivo. Como outra das fontes diárias de adoçantes é o café, também nestes casos o paladar deve ser educado. Qualquer bom apreciador de café até torce a cara quando vê algo doce ser-lhe adicionado. Ir gradualmente diminuindo a quantidade de açúcar ou colocando canela até ao ponto de se habituar a bebê-lo na sua versão pura é um objectivo a atingir num país que tem este hábito tão enraizado.

Outra das preocupações reside no risco aumentado de cancro. Focando-nos em estudos em humanos (e não em ratos), a evidência é bastante inconclusiva no que diz respeito à ligação entre consumo de adoçantes e cancro. Olhando para os vários estudos existentes sobre o tema, mesmo quando se pretende forçar esta associação e olhar apenas para os trabalhos que reforçam esta teoria, o máximo que se consegue encontrar é um aumento do risco de mieloma múltiplo (nos homens) e leucemia com um consumo superior a 1 refrigerante com aspartame por dia comparativamente a quem não bebe nenhum. E também um aumento do risco de cancro da laringe em indivíduos que consumiam mais do que dois pacotes de sacarina diários em comparação a quem não consumia nenhum. Ou seja, mesmo quando queremos ser facciosos, não há “muito por onde pegar” quanto a esta hipotética teoria de que os adoçantes são um novo veneno.

Para finalizar, falta ainda referir o lado “bom” de alguns adoçantes. Estamos fundamentalmente a referir-nos à stevia, que pode até ter efeitos interessantes na diminuição da pressão arterial em hipertensos e melhoria do controlo glicémico em diabéticos, para além de juntamente com os outros adoçantes artificiais ser também profundamente inócua no que diz respeito às cáries dentárias. Também alguns “polióis”, nome dado a substâncias como o xilitol, sorbitol, manitol, maltitol e afins, acabam por ser uma substituição positiva, dado que o seu valor calórico é cerca de metade do açúcar, com a vantagem de ter um impacto muito reduzido na glicemia e nas cáries dentárias. O seu principal problema pode então residir no efeito laxante do seu consumo excessivo em pastilhas elásticas, rebuçados sem açúcar e barras proteicas.               

Recomendações

* Continue a não ter refrigerantes light / “águas com gás” de sabores em casa. Se olhar para eles, mal abre o frigorífico, dificilmente lhe vai apetecer beber água;

27
Jul18

ARROZ DE COUVE FLOR


Ju Lima

 

Acho que a maioria lembra daquele conselho da Bela Gil, de substituir quase tudo por linhaça. Isso na época deu o que falar e rendeu muitos memes engraçadíssimos. Que bom que pelo menos rendeu alguma coisa boa. 

Passado o tempo da Bela Gil, surgiu o arroz de Couve Flor. Não sei quem começou com essa moda, mas essa substituição acabou de desestruturar o bom senso, já abalado pelo brigadeiro de whey e pela coxinha de jaca.

Tanta tolice na nossa mesa tem que ter uma explicação. Talvez seja responsabilidade  tal da dieta low carb (que alguns insistem em chamar de 'estilo de vida'), porque acho difícil que essas idéias sejam criadas a partir da vontade de melhorar a alimentação das pessoas.

A maneira como se prepara e apresentar os alimentos é bem importante: pupunha e abobrinha desfiadas tem seu valor, tornando-se lindas e gostosas quando fazem as vezes de um macarrão. Mas aquilo ali nunca será um. E o mais importante: nunca terão a função dele.

E porque chamo essas substituições de tolices? Justamente pela sua funcionalidade, que falei aí em cima. O arroz é uma fonte de carboidratos e proteínas (sim, tem aminoácido no arroz, tá?) e sua função biológica é gerar energia para nosso corpo (a famosa calorias). Ele também é protagonista da alimentação de várias culturas, e segundo o wikipedia, responsável por alimentar mais da metade do mundo.

 

A Couve Flor é uma hortaliça pobre nos macronutrientes mais presentes no arroz, e apesar de ser um alimento excelente, não se assemelha nenhum pouco ao arroz. Então por qual razão as pessoas acreditam que faz sentido substituir uma coisa pela outra? 

Meu palpite? As calorias. A necessidade de reduzir o consumo calórico é o grande motivador dessas invenções. Mas você sabe o que começa a acontecer quando tentamos reduzir esse consumo calórico a todo custo? Nosso metabolismo entra em estado de atenção e faz de tudo e mais um pouco para não gastar energia, podendo até gerar mecanismos para que a gente forneça energia a ele... sabe aquele papo de 'restrição gera compulsão'? Pois é. 

O mesmo acontece com o macarrão de abobrinha e pupunha: fontes energéticas substituídas por legumes. Deliciosos? Sim. Mas você acha mesmo que quando tudo que você mais deseja é um prato de macarrão, seu corpo vai aceitar 1 dúzia de fios de abobrinha? Claro que não!

 

Como eu disse lá no começo do texto, eu acho essas soluções muito legais porque variam a apresentação do alimento, e muitas vezes isso é necessário pra gente começar a consumí-los. Sou a última a negar a criatividade na cozinha, mas a primeira a defender a função de cada um. 

Cuidado se você está procurando substituir suas receitas preferidas porque acredita que elas são prejudiciais. Vamos parar de achar que o gostamos nos engorda ou nos faz mal, vamos apagar as listas de 'pode' e 'não pode' e acabar com essa idéia de carboidrato vilão. 

E não digo para abandonar a abobrinha, o pupunha, e a couve flor (o brigadeiro de whey é pra abandonar sim, por favor): é para comer porque você gosta desse jeito, e não para substituir outro alimento. Também não estou falando para comer um pacote de macarrão diariamente, porque isso não é saudável: é para comer macarrão quando der vontade, respeitando seus sinais de fome e saciedade, sendo feliz, sem classificá-lo como bom, ruim ou péssimo. 

Aguardo ansiosamente o dia que substituiremos os alimentos da moda por mais bom senso!

 

Fonte: https://www.naocontocalorias.com.br/naocontocalorias/arrozdecouveflor

24
Jul18

A ILUSÃO DO SAL ROSA DO HIMALAIA


Ju Lima

 

 

Como falei recentemente quando escrevi sobre a goji berry, de tempos em tempos surgem novos alimentos “milagrosos”, muitas vezes chamados de superalimentos.


A ironia é que literalmente nenhum desses já foi de fato demonstrado como um superalimento, e isso provavelmente não vai ocorrer. Além disso, como definir o que é um superalimento? Quais critérios utilizar para a classificação?

 

Independentemente disso, o fato de não existirem superalimentos não necessariamente implica na inexistência de alimentos que podem ser superiores a outros em conferir benefícios específicos à saúde de quem os consome. 

 

 

O sal rosa do Himalaia como superalimento

 

Com a alcunha de superalimento ou não, o sal rosa do Himalaia ganhou imensa popularidade nos últimos anos.

 

O seu grande diferencial em relação ao sal refinado (sal de mesa ou sal comum) seria justamente o fato de ele não ser refinado. As alegações são de que, por esse motivo, o sal rosa do Himalaia é, nutricionalmente falando, um ingrediente muito mais “rico” que o sal refinado.

Alguns dos supostos benefícios encontrados pela internet:

  • Auxilia na saúde vascular
  • Melhora a função respiratória
  • Reduz sinais de envelhecimento
  • Previne cãibras musculares
  • Fortalece os ossos
  • Reduz a pressão arterial


Esses  benefícios teoricamente valeriam não apenas para o sal rosa, mas também para os demais sais não refinados: negro, marinho, havaiano, defumado, flor de sal, cinza, grosso. (Para facilitar a leitura, daqui em diante vamos chamar todos os sais não refinados de sais integrais).

Como essas alegações nunca foram testadas diretamente testadas em estudos, elas simplesmente não podem ser consideradas como verdadeiras. Por isso, não precisamos entrar em detalhes sobre elas.

 

Porém, existe um argumento comumente utilizado por quem defende os sais integrais que vale a pena comentar:

 

“O sal rosa possui muito mais minerais que o sal refinado em sua composição”.

 

Será mesmo? Se sim, qual é a relevância disso?

 

Esse ponto foi discutido, inclusive, nos comentários do texto que escrevi sobre os “malefícios” do consumo de sódio. Entretanto, para expandir a discussão, vamos analisá-lo em mais detalhes abaixo.

 

 

Composição mineral dos diferentes tipos de sal

 

Felizmente, existe um ótimo estudo que verificou a composição mineral de 45 tipos diferentes de sal. A partir desses dados, é possível fazer uma comparação desses sais para verificar se realmente há alguma distinção importante entre suas composições. 


Considerando os 45 tipos de sal avaliados, ficaremos apenas com aqueles mais interessantes para a nossa análise, ou seja, aqueles mais facilmente encontrados para consumo: sal refinado, sal marinho*, sal grosso e sal rosa do Himalaia.


*O sal marinho escolhido, a partir das diversas opções de sal marinho do estudo, foi o que pode ser obtido a partir do Oceano Atlântico (litoral brasileiro).


Para facilitar a visualização, montei uma tabela com a concentração dos minerais avaliados pelo estudo: cálcio, potássio, magnésio, ferro, zinco e sódio. Além disso, coloquei, na última coluna, os valores de referência de ingestão (DRIs) — para mulheres jovens adultas* — de cada um desses nutrientes.


*Escolhi os valores para mulheres jovens adultas porque eles são iguais ou inferiores aos de homens, idosos ou gestantes; a única exceção foi o ferro, que possui valor de referência mais baixo para homens do que para mulheres (8 x 18 mg). Assim, essas escolhas foram determinadas para que houvesse a possibilidade de a ingestão desses minerais, a partir dos sais, pudesse ser minimamente importante pelo menos para o grupo populacional com as menores necessidades absolutas de minerais.


Todos os minerais abaixo estão representados em miligramas (mg) e referem-se à quantidade presente em 10 g de sal, que é próxima à média de ingestão diária da população brasileira:



(O valor de referência para o sódio não foi colocado porque ele não é importante).

 

 

É possível perceber, claramente, que o consumo de nenhum sal, nem mesmo o rosa do Himalaia, nem mesmo o azul de Urano, representará uma fonte expressiva de minerais — com exceção do sódio, é claro.

 

A concentração de minerais no sal rosa é bastante superior à dos demais sais? Sim, chegando a ser 300% superior para o cálcio e mais de 7400% superior para o magnésio, por exemplo, quando comparada à do sal refinado.

 

Mas de que adianta se, na prática, essas quantidades de minerais encontradas no sal rosa ainda são muito pequenas em relação às necessidades diárias? Nada.

 

Considerando nossas necessidades nutricionais, o mineral mais importante no sal rosa seria o ferro. Mesmo assim, a ingestão de 10 g/dia desse tipo de sal não seria capaz de suprir nem 5% das recomendações de ferro.

 

Além disso, diferentemente do que algumas pessoas dizem e do que alguns sites informam, o sal rosa do Himalaia não possui menor concentração de sódio quando comparado ao sal refinado.

 

E sódio à parte, nenhum sal será uma fonte minimamente importante de minerais.

 

Além desse artigo científico que analisamos, existe também um site em inglês que apresenta a concentração de todos os minerais que supostamente são encontrados no sal rosa. Porém, como o site não diz muito bem como esses dados foram obtidos, não é possível afirmar que essas informações são confiáveis. Mesmo assim, se alguém quiser confirmar que o sal rosa não se configura como uma fonte importante de nenhum desses nutrientes, basta comparar os minerais apresentados pelo site às necessidades nutricionais de cada mineral segundo as DRIs.

 

 

A questão do iodo

 

Na minha forma de ver, essa é a parte mais importante da discussão.

Os frutos do mar — e, em alguns casos, outros alimentos obtidos do mar, como as algas — são a única fonte realmente considerável de iodo na alimentação humana. E é por esse motivo que a maioria dos países ao redor do mundo segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde de fortificação de iodo no sal refinado.

No Brasil, a fortificação é obrigatória, devendo o sal refinado conter entre 15 e 45 ppm de iodo (Anvisa - RDC nº 23, 24/04/2013). Isso equivale a concentrações entre 75 e 225 µg de iodo para uma pessoa que consome 5 g/dia de sal, ou entre 150 e 450 µg para quem ingere 10 g/dia* de sal.

 

 

*A quantidade de 10 g/dia pode parecer alta, mas não é.


Em outras palavras, a fortificação obrigatória de iodo no Brasil, considerando a quantidade média de sal ingerida pela população (aproximadamente 12 g/dia), é suficiente para garantir uma ingestão adequada desse nutriente para praticamente todas as pessoas, cujas necessidades variam de 90 μg/dia para crianças até 200 μg para mulheres gestantes.

 

Por outro lado, não temos dados sobre a quantidade de iodo presente na maioria dos sais integrais. Sabemos, por exemplo, que a concentração de iodo no sal marinho é de aproximadamente 1,5 ppm, ou seja, 10 vezes (900%) inferior à quantidade mínima que deve estar contida no sal iodado.

 

Especificamente em relação ao sal rosa, não existem estudos que avaliaram sua concentração de iodo, e por isso ela é desconhecida; de repente ela até pode ser suficiente para suprir as nossas necessidades desse mineral, assim como também pode não ser. Porém, se considerarmos o sal marinho como parâmetro, existe uma grande possibilidade que os demais sais integrais não apresentem quantidades adequadas de iodo para prevenir os problemas relacionados à deficiência desse nutriente.

 

Como não temos conhecimento sobre a quantidade de iodo no sal rosa e nos demais sais integrais, por que arriscar?

 

 

A redução no consumo de sal refinado não traz benefícios

 

Enquanto o sal refinado possui aditivos em sua composição, como dióxido de silício e ferrocianeto de sódio, os sais integrais estão isentos disso. Esse é um dos principais argumentos utilizados por quem defende o consumo do sal rosa, por exemplo.

 

O dióxido de silício é um ingrediente que provavelmente não vai causar problema algum à nossa saúde, devido às suas características químicas. O ferrocianeto, por outro lado, talvez até poderia trazer prejuízos, por causa da presença do cianeto; porém, estudos em humanos já verificaram que quantidades relativamente elevadas de ferrocianeto parecem não causar toxicidade.

 

Mesmo assim, existem formas até mais fáceis de verificar se o sal refinado, assim como os seus aditivos, poderiam causar problemas:

 

 

1) Dividir um número X de pessoas em pelo menos dois grupos, onde um deles ingere uma quantidade de sal superior à média consumida pela população.

 

2) Ou, em vez dessa primeira possibilidade, oferecer a um dos grupos uma quantidade de sal inferior à média consumida pela população.

 

 

O primeiro cenário seria considerado como antiético, e por isso seria mais fácil trabalhar com o segundo. E não é que isso já foi feito?

 

O grupo de revisões sistemáticas mais importante do mundo, a Cochrane Collaboration, publicou em 2014 a última meta-análise de ensaios clínicos randomizados que avaliou o efeito da redução no consumo de sal sobre a saúde, em pacientes com e sem hipertensão.

 

E os resultados do estudo foram bem claros: o menor consumo de sódio não reduziu a mortalidade por todas as causas e também não reduziu especificamente a mortalidade cardiovascular. (Esse e outros estudos foram comentados em mais detalhes no último texto sobre o sal publicado aqui no blog).

A partir disso, é possível especular que a maior ou menor ingestão dos aditivos presentes no sal refinado também não influencia, nem de forma positiva e nem de forma negativa, a saúde da população — uma vez que consumir mais ou menos sal parece não impactar na saúde geral ou cardiovascular.

Mesmo assim, quem quiser realmente se precaver pode optar uma alternativa de sal que não contém aditivos, como esse aqui: sal Cisne líquido (agradecimento ao leitor Ulisses pela dica). Podem existir outras marcas que seguem a mesma linha, mas desconheço. 

 

 

Considerações finais

 

Quem, ainda sim, quiser optar pelo sal rosa do Himalaia ou por qualquer outra variedade de sal integral, vá em frente.

 

Porém, a partir dos dados que temos disponíveis, fica evidente que, do ponto de vista de nutrientes, os sais integrais não apresentam nenhuma vantagem em relação ao sal refinado, simplesmente porque a concentração de minerais em qualquer tipo de sal (refinado ou não) é muito pequena quando comparada às nossas necessidades nutricionais.

 

Além disso, é muito importante ter em mente que desconhecemos a quantidade de iodo do sal rosa e dos demais sais integrais, e que, por isso, as chances de se desenvolverem quadros de insuficiência ou deficiência de iodo podem ser maiores.

 

Por fim, a probabilidade dos aditivos presentes no sal refinado causarem problemas é mínima, e por isso esse não é um argumento que, na minha opinião, é muito relevante na hora de decidirmos entre o consumo dos diferentes tipos de sal.


Um recado pós-escrito (18/10/16)

Vale ressaltar que esse texto não é uma crítica ao sal rosa do Himalaia com alimento ou ingrediente, e muito menos às pessoas que o utilizam. A crítica é destinada às alegações não embasadas que fazem a respeito do sal rosa.

Como pode ser percebido a partir do que foi discutido no texto, algumas alegações, como a da "superior" composição nutricional, já foram cientificamente testadas e refutadas (pelo menos até que surjam novas evidências). As demais nunca foram estudadas, e por isso também não podem ser consideradas como verdadeiras até que isso seja cientificamente demonstrado.

É possível que existam benefícios provenientes do consumo de sal rosa ou de outros sais não refinados? Sim, claro. Porém, isso só poderá ser afirmado a partir de evidências científicas. Se não há evidências, não podem haver afirmações nesse sentido

Caso algum leitor tenha conhecimento de evidências contrárias às apresentadas nesse texto, o espaço dos comentários está aberto para que essas informações sejam compartilhadas. Mas, por favor, não usem vídeos como argumentação sobre os benefícios do sal rosa — nem do Lair Ribeiro e nem do Papa —, a não ser que o vídeo apresente claramente as referências utilizadas pela pessoa que defende o uso e os benefícios do sal rosa do Himalaia. 


---Fonte: https://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/02/a-ilusao-do-sal-rosa-do-himalaia.html

12
Jul18

Quando o Estado resolve fazer TERRORISMO NUTRICIONAL


Ju Lima

Quando o Estado resolve fazer.jpg

Vivemos em uma época de terrorismo nutricional. Em qualquer programa de televisão e nas redes socias parece que os alimentos viraram o assunto do momento, entretanto isso não significa que estamos recebendo informação de qualidade, pelo contrário, são informações distorcidas, que as vezes nos levam ao equívoco de reduzir os alimentos a nutrientes, a dividir a alimentação em “fações” e separamos os alimentos em bons e ruins.

O significado popular de ser “saudável” virou restrição, e lamentavelmente nutricionistas, médicos, blogueiras e educadores físicos são propagadores desse terrorismo nutricional como se fosse um estilo de vida saudável, mas, mais lamentável ainda é quando o ESTADO resolve fazer terrorismo nutricional.

Vemos de tudo desde as Segundas-feiras sem carne (no Brasil, São Paulo), a proibição da venda de produtos como salgados e doces (ou até mesmo certos sumos) em hospitais e centros de saúde públicos e agora com a proposta do PAN de trazer essa proibição às escolas públicas (em Portugal).

A boa intenção perde-se quando as restrições descabam para o radicalismo. Isso não é defesa da saúde, é terrorismo nutricional.

Não estou dizendo que a valorização da alimentação saudável deva ser um assunto descartado pelo Estado, afinal de contas, estima-se que 3,5% das despesas total que o Estado Português tem com a saúde está relacionado com a obesidade (custos diretos) ou seja, 235 milhões de euros.

Só que não é papel do Estado educar, no caso proibir, esse papel é das famílias, ou, no caso da educação alimentar, é papel dos nutricionistas formados e honestos, nutricionistas esses que procurarão o bem-estar físico e emocional do utente, e não apenas um corte cego nas despesas.

Não deve ser necessário relembrar, ainda mais aos portugueses, o que acontece quando o Estado se envolve em toda e qualquer decisão do quotidiano dos cidadãos. Não quero gritar “fascismo,” até porque hoje é uma palavra muito mal-usada e usada ad nauseabum. Direi apenas que os cidadãos necessitam de se sentir livres, porém responsáveis e, portanto, necessitam ser educados desde a infância acerca dos bons hábitos alimentares e outras boas práticas como o exercício físico (regulado).

Quero um Estado que se preocupe com a Saúde, mas que transforme essa preocupação em medidas positivas, não negativas, e de educação, não de restrição, sabendo, portanto, encaminhar as crianças (no caso das escolas por exemplo) aos nutricionistas de que falei há pouco. Nada de cortes cegos administrados por tecnocratas em gabinetes, haja bom senso.

Educar é conceder através do conhecimento da alimentação autonomia para fazermos escolhas. Na minha opinião, autonomia é chave para a alimentação saudável e deveria ser um dos pilares da nutrição, entretanto parece ser mais conveniente criar proibições, ditar o que comer, onde comer e quando comer, proibir parece ser mais importante do que educar.

A educação (alimentar) gera liberdade, tanto do estado como dos profissionais de saúde, e acredito que não é isso que o estado queira, talvez ele preferia criar cordeirinhos incapazes de fazer escolhas saudáveis sem a interferência do pai Estado.

É inacreditável que os conselhos de nutrição louvem tais leis proibitivas, talvez precisem lembrar que o nutricionista acima de tudo deve ser um educador, um orientador, que através da educação nutricional, facilite o individuo fazer escolhas alimentares, baseadas no seu estado nutricional e patológico, respeitando preferências alimentares e aversões.

Defendo a autonomia do individuo diante da sua alimentação, defendo o incentivo do autocuidado, através da educação nutricional.

Acredito que as ações para promoverem a saúde devem ter como foco apoiar as pessoas a se tornarem agentes produtores sociais da saúde, ou seja, que as pessoas se empoderem em relação à SUA saúde. Os principais objetivos devem ser os de produzir conhecimentos e habilidades para que as pessoas adotem, mudem e mantenham comportamentos que contribuam para a sua saúde.

Agora proibir? Se estou proibido de comer certos alimentos nos hospitais, tenho a liberdade de comprar no café em frente, sempre haverá uma forma de “escapar”, a não ser que o Estado esteja tão focado em tirar nossa individualidade, liberdade de escolha e nos privar dos nossos prazeres alimentares, que proíba a comercialização e produção de todos os produtos que Ele julgue serem maus para a saúde.

Se realmente a preocupação fosse com a saúde, teríamos mais investimentos em medicina preventiva, em educação alimentar e nutricional, nas escolas e centros de saúde, e não em medidas em que nada acrescentam à saúde das pessoas.

 

Enfim, tenho medo de qualquer dia acordar com a notícia de que o Estado proibiu os beijinhos e os apertos de mão por serem agentes propagadores de bactérias!

  

Juliana Lima e Ângelo Lima 

02
Jul18

Frutas: Antes ou depois?


Ju Lima

 

 

 

Falar sobre frutas é sempre polemico, mas até divertido devido a tantos mitos relacionados a esses alimentos. Há quem diga que devemos consumir frutas antes das refeições para diminuir a absorção de gordura, outros estão convictos de que comer frutas antes das refeições não é benéfico porque “fermenta” e há quem defenda que frutas devem ser consumidas de estomago vazio.

Mas com que ficamos? Quando devemos comer frutas?

Comecemos pelo básico, devemos consumir frutas e legumes todos os dias, focando em atingir as cinco porções diárias recomendadas.

Se consumidas antes das refeições, como entrada, as frutas irão fornecer fibras, que têm sim, um papel positivo ao nível de diminuição de absorção de gordura, além do papel saciador, entretanto, apesar desses benefícios, não é obrigatoriamente necessário que exista a ingestão de uma peça de fruta antes da refeição. Uma dose de sopa possui aproximadamente a mesma quantidade de fibras que uma peça de frutas, e, se acrescentarmos leguminosas, possuirá até mais fibras. Há também a opção de legumes cozidos ou saladas, são excelentes fornecedores de fibras, tanto como entrada como acompanhamento.

Assim sendo, não é obrigatória a presença das frutas antes das refeições.

Já no final da refeição a fruta terá duas vantagens: por um lado devido ao teor de vitamina C de algumas frutas, como laranja, morango e kiwi, tendo a função de facilitadora na absorção de ferro não heme (ferro de origem vegetal). A outra vantagem é substituir as sobremesas, já que muitos apreciam um doce após a refeição, as frutas são uma opção saudável e vantajosa.

Sobre ingerir a fruta de estomago vazio sob a pena de fermentação é apenas mais um mito alimentar, a não ser que a fruta seja ingerida podre (já em processo de fermentação). O ácido clorídrico do nosso estômago torna o meio tão ácido que dificilmente qualquer ato de fermentação ocorreria.

O que realmente fermenta são as fibras, quando chegam ao cólon pela flora intestinal presente, entretanto isso ocorre independentemente de quando a fruta é comida. É um processo normal.

Assim, o importante é consumir frutas, legumes e verduras, pois esse sim é o verdadeiro problema. A ordem fica conforme sua preferência.

 

(Baseado no artigo do Nutricionista Pedro Carvalho)

 

 

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